Luan: sindicato diz que Metrô é responsável pela morte do menino – Notícias



O Sindicato dos Metroviários de São Paulo afirma que o Metrô é culpado pela morte do menino Luan, de três anos, atropelado por um trem dentro de uma estação, no último 23 de dezembro. “A política que a companhia vem adotando fez com a criança morresse”, disse o coordenador do sindicato, Raimundo Cordeiro.


Na tarde de um domingo, Lineia de Oliveira Silva estava na companhia do filho, na estação Santa Cruz, quando o pequeno Luan escapou de sua mão. “Tentei correr atrás dele, mas a porta se fechou”, relatou. “Não me lembro de mais nada.”


Lineia afirmou ao R7 que o metrô estava lotado e ela iria viajar para Santos com Luan, outros dois filhos, o marido e o sogro. “Ele estava no meu colo em todos os momentos.” Quando o trem parou na estação Santa Cruz, a porta se abriu e o vagão se esvaziou. Ela tentou se sentar em um assento mais próximo de sua família quando Luan soltou de sua mão. “Ele passou pela porta e eu não vi mais nada”, diz.


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O episódio que ocorreu dentro do metrô é visto pela companhia como uma tragédia, diz Cordeiro. Um relatório interno da empresa apontou que o Metrô demorou 61 minutos para autorizar a entrada de agentes de segurança no túnel durante as buscas do menino. “Isso não ocorreria há dez anos atrás, quando se tinha prioridade na segurança do passageiro”, relata o coordenador do sindicato. “Hoje se preza por menor tempo de parada e só. O certo é ter eficiência com segurança, não simplesmente eficiência”, diz.


Segundo o sindicato, a política de privatização, sucateamento e a falta de investimentos e de funcionários fazem parte da “política que a companhia vem adotando” e que, urgentemente, precisa ser revista. 


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Questionados pela reportagem do R7, o Metrô considerou absurda as acusações feitas pelo sindicato. “É absurdo que o representante do Sindicato dos Metroviários busque holofotes em meio a uma tragédia que abalou todos os metroviários, tirando proveito do acidente para emplacar pautas puramente políticas”, dizia a nota enviada (veja íntegra abaixo) pela assessoria de imprensa da companhia.


O texto diz também que o atendimento ao sumiço do garoto ocorreu em menos de um minuto e justificou a demora nas buscas do túnel.


“Para garantir a segurança dos demais usuários embarcados nos trens da Linha 1 naquele momento, foi necessária a desenergização de um trecho de mais de quatro quilômetros de vias, desde a estação Vila Mariana até Saúde – nos dois sentidos – para que os agentes de segurança pudessem adentrar no túnel”, complementou a nota, lamentando o ocorrido e informando também que “o Metrô presta suporte à família e colabora com as investigações para esclerecer o caso”.


Cipa


Todas as linhas do Metrô de São Paulo possuem Comissões Internas de Prevenção a Acidentes. A Cipa, como é conhecida, da linha 1-Azul fez um relatório, pontuando questões que devem ser analisas urgentemente pela companhia, a fim de evitar mortes como a de Luan. 


Entre os apontamentos estão: a contratação imediata de mais funcionários, a readequação dos espelhos que permita a visualização do operador de toda a plataforma, a instalação de sensores nas passarelas e vias que identifique através de alarme sonoro a presença de pessoas não autorizadas, animais ou corpos estranhos que possam constatar risco de acidente ou atropelamento.


Outro lado


Confira a íntegra da nota enviada pelo Metrô sobre as afirmações feitas pelo Sindicato dos Metrôviários:


“O Metrô lamenta o trágico acidente com o menino Luan, ocorrido no domingo 23/12, e informa que prestou suporte à família.


É absurdo que o representante do Sindicato dos Metroviários busque holofotes em meio a uma tragédia que abalou todos os metroviários, tirando proveito do acidente para emplacar pautas puramente políticas, como a discussão sobre a concessão de linhas e investimentos na malha.


É mentirosa a afirmação de que o Metrô não tem funcionários suficientes. A Companhia conta com 3.500 metroviários –  entre agentes de segurança e de estação para o atendimento aos passageiros. Além disso, assuntos relacionados à segurança dos usuários não são da competência do sindicato, que também neste caso não deveria utilizar a fatalidade para fazer propaganda de suas pautas sindicais.


Um minuto após serem acionados, os agentes de segurança imediatamente começaram as buscas em toda a estação, nas duas plataformas, mezanino, shopping e acesso da estação anexa na Linha 5-Lilás. Foram 20 minutos ininterruptos. A ocorrência, atípica, exigiu ainda a busca dentro dos túneis. Para garantir a segurança dos demais usuários embarcados nos trens da Linha 1 naquele momento, foi necessária a desenergização de um trecho de mais de quatro quilômetros de vias, desde a estação Vila Mariana até Saúde – nos dois sentidos – para que os agentes de segurança pudessem adentrar no túnel.


A Companhia do Metrô está colaborando com polícia nas investigações por todos os meios solicitados pelas autoridades (imagens de câmeras de segurança, testemunhos e relatórios).


Cabe enfatizar que, por ano, o Metrô transporta cerca de 1 bilhão de pessoas (quase 4 milhões por dia) e a entrada de uma criança na passarela de emergência é fato único em seus 45 anos de operação. É, portanto, extremamente raro acidentes envolvendo usuários, trens e outros equipamentos no Metrô, o que prova o alto padrão de segurança adotado em todo o sistema”.

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